segunda-feira, 6 de abril de 2026

Chainsaw Man - Capítulo 04 (final)

Capítulo 04 — Enoshima, a ilha dos sonhos

Denji acordou com o próprio ronco. Pontos de luz dançavam na borda de sua visão. Levou um segundo para perceber que era a luz do sol atravessando as janelas. As casas passavam rapidamente, desaparecendo assim que surgiam.

Um ritmo constante fazia cócegas em seus ouvidos: tu-dum, tu-dum. Tu-dum, tu-dum. O som do trem correndo pelos trilhos. A vibração suave do assento era tão relaxante que parecia que ele ainda estava dormindo.

— O que eu estou fazendo num trem? — perguntou, bocejando.

A mulher com chifres no assento ao lado revirou os olhos.
— Sacode esse sono da cabeça, Denji.

— Para com isso, Power — disse o homem de cabelos escuros sentado à frente dela. Ele se virou para Denji. — É por isso que eu te disse ontem pra dormir mais cedo.

— Está tudo bem, Hayakawa — disse a última do grupo, a mulher de roupa azul-escura sentada à frente de Denji. Quando ele olhava para ela, era difícil pensar em qualquer outra coisa. — Denji estava animado demais com essa viagem pra conseguir dormir. Não é mesmo, Denji?

— Senhorita Makima! — exclamou Denji, quase pulando do assento. — Ah, é mesmo… Enoshima.

Finalmente ele se lembrou. Finalmente estavam cumprindo a promessa. Makima e os três moradores da casa de Hayakawa estavam indo em uma viagem para Enoshima.

— Você acordou bem na hora certa — sorriu Makima. E ela estava certa: do lado de fora, os bairros residenciais davam lugar a um mar azul cristalino. O sol brilhava sobre a superfície da água, dourando as ondas com cristas brancas. Um bando de aves marinhas passou alto sobre eles, soltando seus gritos enquanto deslizavam majestosamente pelo céu.

— Caramba! O mar! — gritou Denji.

— O mar! O mar! — repetiu Power. Os dois colaram o rosto nas janelas.

— Mais baixo, vocês dois — franziu a testa Aki. — Não estamos sozinhos no vagão.

Denji sorriu e trocou um olhar com Power. Eles deram os braços, como irmãos.
— Ah, deixa de ser chato — disse Denji. — Se nem na praia dá pra se animar, então pra quê dá?

— O rabo de cavalo reclama de tudo!

— Pelo menos tentem pensar nas outras pessoas — resmungou Aki.


— Ah, deixe-os, Aki Hayakawa. Não é todo dia que conseguimos tirar férias — disse Makima calmamente. A janela estava levemente aberta, deixando entrar a brisa do mar que brincava com sua franja.

— Se a senhora diz, senhorita Makima… — concordou Aki.

O fato de Aki ter cedido agradou Denji, que se recostou no assento.
— Caramba, férias com a senhorita Makima! Isso é tipo um sonho!

— Bem, vocês têm trabalhado muito ultimamente. Só lamento que não possamos fazer isso com mais frequência. Normalmente precisamos ficar perto do escritório — disse Makima.

Denji acenou despreocupadamente.
— Pode confiar, senhorita! Em Enoshima vai ser incrível!

— Fico curioso, Denji — disse Aki. — Você faz ideia do que é a ilha de Enoshima?

Denji bufou.
— Uma ilha. Meio óbvio.

— É verdade, mas essa ilha… é especial — disse Makima. Ela fez um círculo com o polegar e o indicador da mão direita. — A maioria das ilhas é cercada por água, certo? — então encostou o dedo indicador da mão esquerda na base do círculo. — Enoshima é o que chamam de ilha conectada ao continente. A areia acumulada forma uma espécie de ponte entre a ilha e a terra firme.

— Ah! Claro! — Denji cruzou os braços e assentiu, mesmo achando a explicação meio confusa.

Ela sorriu.
— Pense assim: a maioria das ilhas é solitária. Elas não podem tocar nada. Enoshima é conectada à terra, então não é uma ilha solitária.

— Ah… faz sentido, eu acho.

— Lá está — disse Makima, apontando pela janela. No horizonte surgiu uma faixa verde cercada por nuvens brancas.

— Uau… — disse Denji. — Menor do que eu esperava.

— Talvez seja interessante saber — declarou Power — que eu tenho uma casa de veraneio nessa ilha!

— Ah, legal — respondeu Denji, indiferente.

— Por que você não ficou impressionado?! — exigiu Power. — Está dizendo que eu estou mentindo?

— Mais ou menos.

— Insulto! — proclamou ela. — Ainda assim, você continua sendo meu parceiro. Estou dizendo a verdade!

Denji suspirou.
— Tá bom. Então onde fica sua casa?

Power apontou pela janela.
— Bem ali! Está vendo aquela mansão luxuosa que perfura o céu no centro da ilha?

Ao longe, Denji viu um prédio alto em forma de vela.

— Contemple minha vila!

— Power… isso é o farol de Enoshima — disse Aki.

Sem se abalar, Power bateu no ombro de Denji.
— Um farol, Denji! Aposto que você não sabia disso!

— Agora eu sei, valeu.

Makima riu suavemente.
— Vocês dois são uma dupla e tanto. Em casa é assim também?

Denji coçou a cabeça.
— Sim, somos tipo uma dupla de comédia 24 horas por dia.

O trem finalmente parou na costa, com vista para a ilha de Enoshima.

— Podemos deixar a bagagem no hotel — disse Makima — antes de irmos explorar.

Eles desceram na estação e seguiram até um hotel à beira-mar. Depois de deixarem as malas, como Makima sugeriu, voltaram para a rua sob o sol da ilha.

Denji correu para ficar ao lado dela na frente do grupo.
— Então, senhorita Makima, qual é o plano?

— Boa pergunta. O que você quer fazer, Denji?

— Eu quero fazer qualquer coisa… desde que seja com a senhora.

— Tenta pelo menos ter suas próprias ideias! — gritou Aki Hayakawa atrás deles. — Senhorita Makima, já que estamos aqui, acho que deveríamos ver os pontos turísticos. — Ele acenava com um guia.

— O mar! O mar me chama! — Power levantou o braço para o céu. — Hora de nadar!

Makima levou um dedo ao queixo, pensativa, e então assentiu.
— Certo. Primeiro, fazemos um passeio rápido pela ilha. Depois, podemos entrar no mar. Quando escurecer, será um bom momento para aproveitar o hotel. E depois…

— Sim? — disse Denji. — Depois o quê?

Ela sorriu levemente.
— Prometo que você vai gostar.

Um arrepio de curiosidade percorreu Denji, mas por enquanto já bastava estar ao lado dela.

— Assim que atravessarmos a ponte Benten, estaremos em Enoshima — disse Makima, apontando para a ponte sobre a faixa de areia à frente. Eles estavam quase lá.

O sol de verão ao meio-dia projetava sombras fortes sobre o chão de pedra, mas a brisa do mar amenizava o calor. Denji ouvia o som das ondas indo e vindo — era como se o mar realmente os chamasse.

— Enoshima! — exclamou Denji, emocionado ao pisar na ilha.

Eles passaram sob um grande portão torii vermelho. Além dele, uma rua cheia de restaurantes e lojas de souvenirs se estendia diante deles.

— Olha, rabo-de-cavalo! — gritou Power do fundo do grupo. — Comida! Eu quero comer! — Ela farejou o ar.

— Comer? De novo? A gente não comprou um bento pra você na estação?

— Bento… bento… — Power fez cara de inocente. — Nunca ouvi falar disso.

Aki suspirou e entrou em uma lanchonete próxima. Pouco depois, saiu com um sorvete.
— Por minha conta. Já que estamos de férias, podemos nos dar esse luxo.

Power pegou o sorvete animada.
— Ga-ha-ha! Excelente decisão! Eu— espera… por que tem peixe nisso?

O sorvete escuro estava coberto com pequenos peixinhos brancos.

— É especial. Um prato típico de Enoshima — explicou Aki.

— Hm… — relutante, Power deu uma mordida. — Tem gosto… de mar… — ela fez uma careta.

— Deixa eu provar — disse Denji, pegando o sorvete e dando uma grande mordida. — Caramba! É bom!

— Bom?! — disse Power, horrorizada. — Quem coloca peixe em sorvete?!

— Ué, você come os dois ao mesmo tempo. Economia de tempo!

Aki experimentou também.
— Hm… surpreendentemente bom. O doce combina com o salgado.

— Decide logo se gosta ou não — disse Denji.

— Estou só sendo honesto!

Makima observava tudo à frente, sorrindo.
— É bom ver como a família Hayakawa é próxima.

Os três se entreolharam.

Aki suspirou.
— Não sei se diria “próxima”. Me sinto mais como um pai com dois pirralhos problemáticos.

— Que fofo — resmungou Denji.

— Você devia se sentir honrado! — disse Power com arrogância.

— Não se ache tanto!

— Você tem razão, Hayakawa — disse Makima com leve humor. — Você realmente parece a mãe deles.

— M-mãe…?!

Denji e Power começaram a rir.

— Você é a mamãe, Aki!

— Mamãe de rabo de cavalo!

— CALA A BOCA! EU VOU JOGAR VOCÊS NO OCEANO! — gritou Aki, enquanto os dois fugiam dele rindo.


Depois que a confusão finalmente diminuiu, o grupo percebeu que estava caminhando por uma rua comercial perto da ponte. À frente, havia uma escadaria e outro portão torii.

— O Santuário de Enoshima fica logo ali — disse Makima, conduzindo-os para dentro.

Aki Hayakawa lia o guia enquanto caminhava, apontando os três pavilhões do templo e contando alguns fatos históricos. Para Denji, tudo entrava por um ouvido e saía pelo outro. Ele só sabia que, quanto mais avançavam, mais o mar parecia próximo e melhor ele se sentia.

Quando chegaram ao terceiro pavilhão, Makima se virou para Denji e Power.

— Algum de vocês já fez uma oração em um templo antes?

Os dois balançaram a cabeça.

— Não — disse Denji.

— Eu sou praticamente uma deusa — respondeu Power com superioridade. — Vocês é que deveriam me adorar.

Makima sorriu e pegou uma moeda de cinco ienes.
— Deixe-me mostrar como se faz.

Ela jogou a moeda na caixa de ofertas, fez duas reverências, bateu palmas duas vezes e então juntou as mãos, fechando os olhos.

— É assim que se faz um pedido aos deuses.

— Ga-ha-ha! — riu Power. — Que bobagem! Desejos se realizam com força de vontade!

Mesmo assim, ela correu para tentar. Jogou uma moeda — provavelmente roubada de Aki e bateu palmas dramaticamente.

— Eu desejo um Prêmio Nobel! E também que todos os humanos morram! E que a criatura chamada Makima desapareça deste mundo!

— Não é necessário dizer seus desejos em voz alta, querida — comentou Makima calmamente.

— Engraçado você pedir tanto para alguém que acha isso inútil — disse Denji.

Power congelou por um instante e então sorriu maliciosamente.
— Você deve ter ouvido errado. Foi o Denji que disse aquela parte!

— Ei! Eu não falei isso!

— Não se preocupem — disse Makima. — Hoje vou fingir que não ouvi nada. Vamos apenas aproveitar nossas férias.

Power suspirou aliviada. Aki pigarreou.
— Acho que sou o próximo.

Ele fez sua oração em silêncio.

— Ei, Aki — disse Denji quando ele voltou. — O que você pediu?

— Prefiro não dizer.

— Aposto que foi vingança, né?

— Seria melhor do que os pedidos da Power… mas não vou incomodar os deuses com isso. Posso cuidar disso sozinho.

— Então o que foi?

Aki suspirou, irritado com a insistência.
— Eu rezei para que vocês dois encontrem felicidade.

Denji e Power ficaram em silêncio por um segundo… e então caíram na gargalhada.

— Sério isso?!

— Você pede cada coisa idiota!

— Droga! Esqueçam o que eu disse!

— Sejam gentis com a sua mãe — comentou Makima.

— EU NÃO SOU A MÃE DELES!

[...]

Quando chegou a vez de Denji, ele foi até o altar, meio hesitante. Bateu palmas como tinha visto os outros fazerem, mas ficou travado.

Ele não sabia o que pedir.

Pensou em Pochita… mas Makima disse que ele já estava dentro dele. Pedir mais parecia errado.

Ele já estava vivendo algo que parecia um sonho: uma vida normal… férias… com Makima.

Ainda assim, havia coisas que ele queria.

Comer bife no café da manhã todos os dias. Ter várias namoradas…

Mas algo dentro dele dizia que pedir demais poderia estragar tudo.

Ele abriu os olhos.

Makima estava ali, iluminada pelo sol, com o vento do mar soprando suavemente.

Era impossível alguém ser tão bonita.

Denji apertou as mãos com força.

Quero viajar de novo com a senhorita Makima!

Não… isso era pouco.

Quero sair com a senhorita Makima!

Ainda não era o suficiente.

Quero… dormir com a senhorita Makima!

Ele travou.

Mesmo depois disso, algo parecia errado.

Algo importante… que ele estava esquecendo.

Mas não conseguia lembrar.

[...]

Enquanto desciam o caminho do templo, Makima perguntou:

— O que você pediu, Denji?

— N-nada demais…

— Hm… foi algo… indecente? — ela insinuou.

— NÃO! — respondeu ele rapidamente.

— E a senhora? — perguntou ele, tentando mudar de assunto.

— Eu? Pedi por um céu limpo esta noite.

Ela sorriu de forma misteriosa e desceu os degraus.

— Agora… vamos para o mar.

— Nadar! — gritou Power, levantando os braços.

Assim começou a segunda parte das férias deles.

O grupo encontrou um trecho de praia aos pés da ponte Benten. A areia, aquecida pelo sol, queimava os pés com o calor do verão.

Denji e Aki Hayakawa, já de roupa de banho, estavam sentados sob um guarda-sol alugado, esperando Makima e Power saírem do vestiário.

— Cara… — disse Denji, com o coração batendo forte. — Não vejo a hora de ver a senhorita Makima de biquíni! Como você acha que vai ser?

Depois de um tempo, Aki deu de ombros.
— Não faço ideia.

— Ah, qual é! Imagina só! Aposto que é preto!

— Você não deveria imaginar sua chefe de biquíni — respondeu Aki.

— E qual o problema?! Só porque você não tem imaginação… — Denji resmungou, jogando-se na areia.

Aki suspirou.
— Não seria preto. A senhorita Makima usaria branco.

Denji ergueu a cabeça imediatamente.
— Sério?

Talvez Aki não fosse tão ruim assim, afinal.

— Ei, Denji… — disse Aki, olhando o horizonte.

— Hm?

— Eu achava que você era só um delinquente idiota… mas você está começando a aprender a ouvir os outros.

Denji sorriu.
— Tá ficando sentimental agora?

— Foi só um pensamento.

— Que pensamento estranho.

— Continue ouvindo, certo? E tenta ser pelo menos um pouco educado.

— Tá bom… vou tentar.

Por um momento, Aki realmente parecia… uma mãe.

Então—

— Desculpem pela demora!

Makima!

— Ela voltou! — Denji pulou de pé… e imediatamente desanimou. — Ah… você não está de biquíni…

Makima usava o mesmo vestido leve e um chapéu de palha, segurando um livro.

— Claro que não — disse ela. — Eu não pretendia nadar. Nem trouxe traje de banho.

— Aaaah… — Denji murchou completamente.

— Humanos, admirem! — anunciou Power, surgindo de repente em um biquíni preto.

Denji ficou encarando.
— Biquíni preto…

Power colocou as mãos na cintura, orgulhosa.
— Sintam-se honrados por testemunhar minha grandeza!

— Você deixou cair um peito — disse Denji, apontando.

No chão, uma das enchimentos do sutiã.

— O QUÊ?! — gritou Power, desesperada.

[...]

Mais tarde, Denji e Power estavam no mar, em um bote inflável.

— Mais rápido, Denji! — ria Power. — Reme!

Denji remava sem entusiasmo.
— Eu só queria ter visto a Makima de biquíni…

— Ainda tá chorando por isso? — reclamou Power. — Nem sei o que você vê naquela bruxa.

— Ei, ela é… — Denji parou. — O que eu vejo nela…?

Power se virou, séria.
— Tive uma ideia genial.

— Lá vem…

— Vamos fugir. Agora. Nesse barco.

— Quê?!

— Estamos no mar! E Makima está na terra! — disse ela, apontando para a praia, onde Makima lia tranquilamente. — Podemos simplesmente continuar remando até outro país!

— Acho que ela ainda ia nos pegar…

— Não esqueça — disse Power, abaixando a voz — ela não tem biquíni.

— …ah.

— Genial, não? — sorriu ela.

Power se levantou no bote, empolgada, quase virando tudo.

— Ei! Vai virar!

— Reme, Denji! Terras estrangeiras nos aguardam!

— Quão longe fica outro país?

— Uns… 500 metros?

— Nem ferrando.

— Então… 600!

— Isso não ajuda!

[...]

Depois de um tempo, Denji deitou no bote, olhando o céu.

— Acho que não dá pra fugir disso… e, pra ser sincero… eu tô feliz.

Power olhou para ele.

— O quê? — disse ele.

De repente, ela pulou em cima dele e apertou suas bochechas.

— Idiota! Você desiste rápido demais!

— Ai! Isso dói!

— Se você não vai, eu vou sozinha!

— Power…

— E quando sentir minha falta… venha me procurar!

Denji suspirou.
— Tá… entendi.

A brisa do mar passava por eles.

Power então sorriu levemente e encostou a testa na dele.

— Você consegue, Denji. Você é meu parceiro, não é?

— Power…?

Aquela sensação voltou.

Algo errado.

Algo importante que ele estava esquecendo…

Mas escapava sempre que tentava lembrar.

— Fugir? Com esse bote ridículo? — disse Aki de repente.

Ele apareceu ao lado deles na água, sem que percebessem.

— Eu queria ver vocês tentando.

Denji se levantou no bote, surpreso.
— Aki?! Desde quando você tá aí?!

Aki Hayakawa suspirou, já meio cansado.
— Desde antes de vocês começarem esse plano idiota de “fugir para outro país”.

Power cruzou os braços, irritada.
— Espião miserável! Como ousa interromper minha fuga brilhante?!

— “Brilhante”? — Aki ergueu uma sobrancelha. — Você não sobreviveria nem meia hora em mar aberto.

— Insolente! — retrucou Power. — Minha genialidade vai muito além da sua compreensão!

Denji soltou um suspiro e se recostou no bote.
— Eu já falei… eu tô bem aqui.

Aki olhou para ele por um momento, como se quisesse dizer algo… mas decidiu deixar pra lá.
— Então terminem logo essa brincadeira e voltem. A maré pode mudar.

— Tsc… estraga-prazeres — murmurou Power.

Mesmo assim, ela se sentou novamente, cruzando as pernas com um ar emburrado.

Por um instante, os três ficaram em silêncio, apenas ouvindo o som das ondas.

Denji fechou os olhos.

A sensação voltou.

Aquela mesma sensação incômoda… como se algo estivesse faltando.

Como se tudo aquilo fosse… bom demais.

Ele abriu os olhos devagar.

Ao longe, na praia, Makima ainda estava sentada sob o guarda-sol, lendo tranquilamente.

Perfeita.

Intocável.

Distante.

— …vamos voltar — disse Denji, de repente.

Power fez uma careta.
— Já? Covarde.

— Tanto faz. — Ele pegou o remo. — Aki tem razão.

Eles começaram a remar de volta.

A água brilhava sob o sol, e o som do mar continuava suave… quase hipnótico.

Mas, por mais bonito que fosse…

Denji não conseguia afastar aquela sensação.

Algo estava errado.

Muito errado.

[...]

Quando voltaram à praia, Aki saiu da água primeiro, estendendo a mão para ajudar os dois.

— Cuidado — disse ele. — A areia está quente.

— Eu não preciso da sua ajuda! — disse Power, ignorando a mão dele… e imediatamente pulando ao tocar a areia. — QUENTE! QUENTE! MALDIÇÃO!

Denji riu.
— Bem feito.

Eles voltaram para o guarda-sol.

Makima levantou os olhos do livro e sorriu.

— Já voltaram?

— Foi chato — disse Power, cruzando os braços.

— Ela tentou fugir do país — disse Aki, seco.

— TRAIÇÃO! — gritou Power. — Eu estava oferecendo liberdade!

Makima riu baixinho.
— Entendo. Parece divertido.

Denji sentou-se na areia, ainda olhando para ela.

— Senhorita Makima…

— Sim?

Ele hesitou.

Aquela sensação ainda estava ali.

Como uma sombra.

— Nada…

Makima inclinou levemente a cabeça, observando-o com curiosidade… mas não insistiu.

O som das ondas preenchia o silêncio entre eles.

O sol começava a descer lentamente no céu.

E, mesmo naquele momento de paz…

Denji sentia que algo importante estava escapando de suas mãos.

Algo que ele deveria lembrar.

Mas não conseguia.


∆ Fim ∆

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